03/02/2020

Linda festa para Pedro Simon




A emoção marcou a celebração em homenagem aos 90 anos de Pedro Simon na manhã deste sábado, 1º de fevereiro, em Capão da Canoa. Ele e a família foram recepcionados por um expressivo número de jovens, o que reforça que suas bandeiras continuam vivas e servem de inspiração para as novas gerações. Recebido com festa, com direito a malabaristas, o “guerreiro do povo brasileiro” foi aclamado e aplaudido de pé por cerca de mil convidados. O evento foi promovido pelo MDB gaúcho com apoio da Fundação Ulysses Guimarães e ocorreu no clube do Estádio Mariscão.
Ao som da Banda ONG Sol Maior, de Porto Alegre, Simon percorreu a exposição de fotos “Pedro Simon, uma trajetória de lutas”. Revivendo 15 momentos importantes da sua trajetória, o ex-senador pôde lembrar os amigos, os companheiros e as lutas que travou ao longo dos seus 90 anos, mais de 60 deles dedicados à vida pública. O ex-senador subiu ao palco ao lado da família e foi homenageado com a música “Pra não dizer que não falei de flores”, de Geraldo Vandré, que marcou os anos de chumbo. Interpretada por Isabela Fogaça, a canção abriu a série de homenagens.

Simon e MDB: uma história que se completa
“Tua vida, Simon, é um longo passado que desenha o caminho do futuro”. Assim, reconhecendo a trajetória política de Pedro Simon ao mesmo tempo em que projeta os próximos passos do partido, o presidente do MDB gaúcho, deputado Alceu Moreira, resumiu a importância do ex-senador para o Rio Grande do Sul e para o Brasil.
“Quem quiser saber o quanto foi importante esse instrumento político-democrático chamado MDB, basta ler os passos da caminhada de Pedro Simon. Ele deu a identidade, o tom da conversa, foi a voz fantástica da Constituinte. Simon faz pelo convencimento”, relembrou o presidente estadual.
Em seguida, o presidente do MDB Nacional, deputado Baleia Rossi (SP), afirmou que iria se referir a Pedro Simon pelo nome e não por algum cargo que tenha ocupado ao longo da vida pública, porque, segundo o emedebista, “qualquer título tem muito menos força do que o seu nome, a sua trajetória, os exemplos que o senhor (Simon) deixa para as futuras gerações”, reconheceu Baleia.
Presente desde o início do ato, o líder nacional do MDB assistiu da primeira fileira os painéis que recontaram a história de Simon. “Teve coragem quando era preciso, teve a moderação, a calma e a sensatez quando necessário. O senhor teve uma vida de exemplo, de ética e de honestidade que falta tanto a nossa política atual”, pontuou o presidente.
Ao falar sobre os desafios da legenda, o emedebista, que assumiu o comando nacional em outubro de 2019, afirmou que é preciso reconectar o partido com as bases e com as pautas que são caras à sociedade. “Tenho a certeza que juntos podemos reescrever a história e buscar o ‘velho MDB manda brasa’ para fazer diferente no futuro”, destacou Baleia. Em sintonia com o presidente nacional, Alceu Moreira reforçou que cabe à legenda ocupar o papel de mediação. “É a hora da reconstrução do tecido democrático brasileiro, do exercício da tolerância e da compreensão de que todos são fundamentais”, finalizou.

A chama da democracia
Os presidentes Alceu Moreira e Baleia Rossi, o secretário executivo da FUG, Chico Donato, e o coordenador do evento, deputado estadual Sebastião Melo, em nome de toda a militância, entregaram a Simon uma estatueta em bronze intitulada "Chama da Democracia", de autoria do artista Vinícius Vieira. Sobre a obra, o escultor destacou que o objetivo foi sintetizar a trajetória do ex-senador na chama viva, em movimento, que incentiva às novas gerações.
Na sequência, foi exibido documentário idealizado pelo núcleo de Cultura do MDB-RS, com texto de Dilan Camargo e roteiro de Paulo Leônidas.

Homenagem a Ibsen
Outro momento de intensa comoção foi a lembrança a Ibsen Pinheiro, falecido há poucos dias, e que foi conduzido ao MDB pelas mãos de Simon. Ao apontar uma cadeira vazia, a qual estava reservada a ele, o presidente da legenda, deputado Alceu Moreira, emocionou os presentes ao falar do amigo:
"Um homem chamado saudade, abraço, carinho. Alguém que expressava um texto de um livro em uma frase. Alguém que se foi na semana passada. Ele devia estar aqui conosco, mas em se lugar eu tenho uma cadeira vazia. Eu estou falando de Ibsen Pinheiro".

Pai de todos
A única neta, Isabela, de 8 anos, que faz aniversário no mesmo dia do avô, resumiu o sentimento da família: “Vô, eu te amo muito”, declarou a menina de oito anos. O pai dela, filho mais velho e deputado estadual, Tiago, agradeceu pelo exemplo de integridade e luta por um Brasil melhor. “Quero te agradecer, pai, porque tu emprestaste a tua voz para falar em nome daqueles que não podiam falar”, disse o primogênito, que lembrou do seu último discurso no Senado em 2018. “Onde havia corrupção, tu lutaste para levar a ética; onde havia impunidade, tu lutaste para levar justiça. E hoje, graças a tua luta, nós temos um Brasil mais justo”, declarou o deputado que segue os passos do pai na política.
O filho do meio, Tomaz, lembrou da origem libanesa de Pedro Simon, da formação em Direito - profissão seguida pelos três filhos - e que ele sempre foi o alicerce da família. “Foi no meu pai que encontrei um porto seguro para seguir em frente, sempre mirando na sua força e na sua fé”, disse, reforçando sua forte presença na Igreja Católica. “Neste dia em que você completa aniversário, a minha alegria é muito grande por vê-lo com saúde”, confirmou Tomaz.
“Esse orgulho tem o tamanho da minha responsabilidade que, estou certo, é a mesma do Tiago, do Tomaz, e também do Mateus, anjo que te guarda, lá do alto”, disse Pedro Fülber, filho mais novo do ex-senador, relembrando o irmão falecido ainda criança. “Dizem que um homem se mostra pelos seus joelhos. Os do meu pai, eu posso afirmar, carregam as marcas de uma vida de luta: a luta pela resistência, pela redemocratização e pelo desenvolvimento de nosso Estado e de nosso país”, homenageou Pedro. “Obrigado, pai, por aproximar de mim esse cálice de vinho tinto de educação, de ética, de amor ao próximo, de liberdade, de paz e de bem”, encerrou o filho mais novo.

Com a palavra: Pedro Simon
“E há que se cuidar do broto, pra que a vida nos dê flor e fruto”. Com os versos de Milton Nascimento, interpretados pela cantora Luisa Holscback – que emocionaram o público de mil pessoas –, o ex-senador Pedro Simon iniciou o seu pronunciamento, definido por ele como o mais importante dos seus 65 anos de vida pública e o mais aguardado do dia. A música Coração de Estudante, um dos hinos da resistência, segue atual e vai ao encontro da luta permanente dele a favor do Brasil que, apesar dos seus 90 anos, mantém o vigor e o espiríto do líder estudantil.
Sobre a sua trajetória, Simon recordou a luta pela redemocratização. Entre os episódios, relembrou a caminhada pelas Diretas Já, realizada há 36 anos em Capão da Canoa, município que sediou o seu aniversário de 90 anos. “Aqui um povo enorme gritou por Diretas. E fomos crescendo. Ah! Se nós tivéssemos, naquela época, as redes sociais”, exclamou Simon. Aquela mobilização reuniu 50 mil pessoas na orla da praia no verão de 1984.
Emocionado, reverenciou líderes como Ulysses Guimarães, Teotônio Vilela e Ibsen Pinheiro, que participaram com ele da luta pela redemocratização. O líder gaúcho enalteceu o papel do MDB nesta conquista que – diante de tantos caminhos incertos – venceu pelo diálogo. Recordou que enquanto o Congresso e todas as assembleias do país estavam fechadas, o Parlamento gaúcho permaneceu de portas abertas. “Trouxemos para o Rio Grande do Sul os grandes debates, com intelectuais de todo o Brasil”, lembrou.
O ex-senador opinou que a sociedade participou pouco das mudanças do país, mas enalteceu a mobilização contra o regime militar. “O povo brasileiro assistiu as maiores transformações do Brasil de camarote. Porém, a maior mudança, de derrubar uma ditadura cruel e restabelecer a democracia, foi feita pelo povo”, contextualizou, num apelo pela participação das pessoas na vida política.
Simon também homenageou todos os que sofreram durante aquele período por defenderem o direito à liberdade. “Muitos brasileiros foram injustiçados, exilados, mortos, oprimidos e torturados. A democracia desapareceu na madrugada”, lamentou.
Para o futuro, Simon defendeu composição e reconstrução. “O Brasil era reconhecido por ser o país da impunidade. Agora, a pessoa vai pensar duas vezes: olha, se eu não for direito, a Justiça vai me pegar!”.
Para ele, a retomada da prisão em segunda instância, revogada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em novembro de 2019, é fundamental para a credibilidade do Brasil. “Se isso for retomado, será o primeiro passo para o futuro do país”.
Sobre a série de homenagens disse: “Eu agradeço do fundo do meu coração. Esse momento não é do Pedro Simon. Esse é o momento do Brasil, de nos definirmos”. Ao se auto-intitular como um homem de fé, encerrou o seu discurso com a oração de São Francisco de Assis, do qual é seguidor dos ensinamentos.

Presenças
Também participaram do evento a senadora Simone Tebet (MS), os ex-senadores Roberto Requião (PR), Casildo Maldaner (SC) e José Fogaça, o ministro da Cidadania Osmar Terra, os ex-governadores Germano Rigotto, José Ivo Sartori e Yeda Crusius, o ex-vice-governador José Paulo Cairoli, o prefeito de Porto Alegre Nelson Marchezan, os ex-ministros Luís Roberto Ponte, Odacir Klein e Francisco Turra, secretários de Governo, o presidente do Grêmio Romildo Bolzan Júnior, acompanhado de comitiva do PDT estadual, e os deputados estaduais e federais, prefeitos e vereadores do MDB de todo o estado. A coordenação do evento foi do deputado Sebastião Melo.

 

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